Programa para refugiados menores interessado em New Bedford

WORCESTER — Temendo pela sua vida na terra natal, apesar da sua tenra idade, decidiu entrar nos Estados Unidos sem a devida documentação.
Maria (nome fictício para ocultar a sua identidade) perdeu a mãe aos 3 anos de idade. Para sobreviver, começou a vender tortillas pelas ruas três anos depois.
Aos 10 anos, associou-se a um gang, mas quando lhe foi dito que teria de “matar ou ser morta” apercebeu-se que tinha de sair do país.
Foi, no entanto, detida pelas autoridades dos EUA e passou seis meses num abrigo, até lhe ser concedido asilo e ser colocada no programa “Unaccompanied Refugee Minors Program” (URMP).
A sua história é agora destacada pelo URMP como forma de consciencializar sobre o programa que coloca menores que chegam aos Estados Unidos sem pais em casas de famílias de acolhimento e providencia serviços sociais de apoio apropriados, em termos culturais e linguísticos.
Inicialmente criado na década de 80 para auxiliar milhares de crianças sem pais em países do Sudeste Asiático, o URMP prestou assistência a cerca de 13 mil menores até ao momento.
Massachusetts acolhe presentemente uma das maiores fatias do programa neste país, e New Bedford poderá dentro em breve acolher menores como Maria.
“Estamos à procura de expandir o programa em New Bedford; poderia assentar muito bem nas necessidades das crianças,” salientou Deane Lozano, coordenadora de recursos familiares para Lutheran Social Services (LSS), o único programa na Nova Inglaterra que auxilia exclusivamente jovens refugiados e imigrantes.
A coordenadora citou a diversidade cultural e linguística da cidade e programas escolares já em vigor para servir as crianças étnicas como sendo uma “área muito boa para ter acesso.”
Segundo o U.S. Office of Refugee Resettlement, existem presentemente nos Estados Unidos cerca de 700 crianças sob os cuidados do programa e a necessidade de encontrar famílias de acolhimento está constantemente a aumentar, sustentada por conflitos armados, desastres naturais, fome, tráfico de seres humanos e outros problemas que afligem o mundo.
Para serem elegíveis, os  indivíduos devem ser menores de 18 anos e satisfazerem um dos seguintes critérios: refugiados identificados pelo Departamento de Estado como qualificados para se radicarem nos Estados Unidos ou recém-chegados não acompanhados, asilados ou vítimas de tráfico.
Actualmente, apenas 14 estados dos EUA e o Distrito de Columbia participam no programa. Massachusetts — o único estado da Nova Inglaterra que participa no URMP — acolhe de 137 crianças.
“A necessidade está a crescer rapidamente; em 2007 tinhamos metade das crianças. As crianças vêm de todo o mundo,” disse Lozano.
Em Massachusetts, os participantes actuais são oriundos de 21 países. As três principais nacionalidades representadas são: birmaneses (22 por cento), Hondurenhos (13 por cento) e Guatemaltecos (10 por cento). Lozano disse que conhece pelo menos um participante oriundo de um país de expressão portuguesa — um indivíduo menor nascido no Brasil que se qualificou para obter o estatuto especial de imigrante juvenil.
“Estes miúdos encontrados aqui [nos E.U.A.], por vezes passam a fronteira sozinhos, outras vezes são encontrados já nos estados,” informou Lozano. “Têm todos histórias diferentes, mas é-lhes permitido permanecer no país porque foram abusados, negligenciados ou abandonados no seu país natal.”
Em Massachusetts, 64 por cento dos participantes são refugiados e 27 por cento qualificaram-se para o estatuto especial de imigrante juvenil. Os restantes são asilados ou vítimas de tráfico humano.
Os participantes podem permanecer no programa até completarem 22 anos. Em Massachusetts, 64 por cento dos participantes têm entre 18 e 21 anos de idade; 27 por cento têm entre 13 e 17 anos, e os restantes têm menos de 12 anos.
“Na realidade, apenas uma pequena percentagem entra no programa, a maioria dos que atravessam a fronteira ou os que são encontrados neste país, são enviados de volta para os seus países de origem,” disse Lozano.
Ao princípio, os participantes eram maioritariamente oriundos de países asiáticos, mas nos últimos anos tem havido um aumento significativo no número de crianças nascidas ao sul da fronteira dos E.U.A.
“A maioria das crianças que estamos a receber agora são de países da América Latina e Central,” informou Lozano.
Os participantes recebem a mesma assistência, cuidados e serviços disponíveis no estado a todos as crianças colocadas em famílias de acolhimento. As famílias também recebem os mesmos benefícios disponíveis no estado para famílias de acolhimento, incluindo uma mesada.
Podem ser ainda prestados serviços adicionais, incluindo apoios educativos; curso de inglês, assistência na legalização do estatuto imigratório; actividades culturais; apoio à integração social e preservação cultural e religiosa, entre outras actividades.
“Trata-se realmente de colocá-los numa família, para que possam construir relações,” salientou Lozano.
Neste momento, o programa está à procura de famílias de acolhimento na área de New Bedford.
“Embora nós gostamos de ter famílias multi-culturais, queremos verdadeiramente certificar-nos que falam inglês e que incentivarão as crianças a aprender inglês,” explicou Lozano. “Queremos que todos sejam felizes e queremos que estes sejam os seus lares a longo prazo.”
A única coisa que impediria a expansão do programa até New Bedford seria se as famílias locais não mostrassem interesse no mesmo, sublinhou Lozano.
“Estamos sempre à procura de lares de acolhimento. Não há falta de crianças,” concluiu.

Para mais informações sobre o programa ou sobre como poderá acolher uma destas crianças, contactar Deana Lozano, nos Lutheran Social Services, através do número 617-916-5576 ou visitar www.lssne.org/refugee-youth-foster-care

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